A farta oferta de largura de banda aliada à consolidação de tecnologias como virtualização, clustering e software como serviço (SaaS) catalisaram um novo modelo de negócios para a TI: a computação em nuvem ou cloud computing ou simplesmente cloud.
Um exemplo corriqueiro de cloud são as aplicações do Google como Gmail, Google Docs e Google Agenda. Essas aplicações estão simplesmente disponíveis na Web, sem sabermos detalhes sobre infra-estrutura, localização geográfica da hospedagem ou como estão sendo tratadas questões como disponibilidade, roteamento, armazenamento e backup. O Google possui dezenas de data centers espalhados pelo mundo, mas o que importa é que estas aplicações estão na “nuvem”, prontas para uso onde há acesso à Internet.
Os conceitos
Cloud não poderia ser definido como uma tecnologia nova. Na verdade é um novo modelo que surge baseado na evolução e maturidade de outras tecnologias como computação em grid, software como serviço, virtualização e escalabilidade dinâmica.
O termo não é definido precisamente e pode ter diferentes abordagens relacionadas às tecnologias mencionadas. Na Salesforce.com, por exemplo, está mais relacionado a SaaS pela oferta de seu bem sucedido CRM na Web. Na IBM a estratégia de negócios é oferecer poder de processamento (grid) e na Amazon refere-se à computação extra sob demanda (escalabilidade dinâmica). Mas é claro que todos usam uma mescla dessas tecnologias com enfoque em uma mais do que em outra conforme seus objetivos de negócio.
Em comum, vale a idéia da consolidação de recursos de hardware para seu aproveitamento máximo através de um gerenciamento inteligente e consequente redução de custos.
Os desafios
Ter informações, às vezes estratégicas, sobre seu negócio em poder de terceiros, sem ter o controle de como estão sendo armazenadas e protegidas, é um novo paradigma para os CIOs. O pavor compreensível pelos modismos em TI e a dificuldade em se medir o retorno de investimento (ROI) em um modelo ainda em consolidação são empecilhos para justificar a adoção do cloud nas empresas.
Para os provedores de serviços em cloud o grande desafio é oferecer e convencer os consumidores, principalmente corporativos, de que podem oferecer garantias de disponibilidade, controle e segurança adequados às necessidades do e-business. Mais do que nunca, os SLA´s se tornam peças fundamentais para as empresas usuárias de cloud.
Quão confiável é a nuvem?
A Salesforce.com deixou seus clientes fora do ar por quase um dia ao fazer uma atualização no banco de dados Oracle em 2005. Depois de outros problemas em 2006, a empresa criou backup sites adicionais.
O Google também apresentou problemas de disponibilidade nos últimos anos afetando usuários do Gmail e Google Apps por horas. O último problema ocorreu em maio de 2009 quando um erro de roteamento redirecionou o tráfego através da Ásia causando sobrecarga nos sites daquele continente.
Existem vários outros casos, mas uma das questões a serem formuladas nestas situações é: se estes serviços e aplicações estivessem hospedados em data centers privados, os problemas de disponibilidade não teriam ocorrido? É quase certo que na grande maioria das empresas de TI, o nível de disponibilidade é bem menor, mas é que é necessário saber claramente em quem colocar a culpa. Na nuvem, encontrar o responsável é meio nebuloso…
O futuro
A computação das nuvens ainda é um modelo novo, que está apenas dando seus primeiros passos. Pode ser uma grande oportunidade para novos modelos de negócio tanto para fornecedores como para consumidores de TI. Porém, confiar aplicativos e dados de missão crítica a terceiros exige uma visão muito transparente de como os fornecedores de cloud tratam questões fundamentais como arquitetura, segurança e disponibilidade.
Resta saber se essa nuvem é do tipo cirrus ou cumulonimbus. E para voá-la? Será necessária a ousadia de Ícaro ou a prudência de Dédalo?



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